Casais: quando o dia-a-dia consome e afasta

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Oscar Wilde já dizia que “O casamento é o fim do romance e o começo da história” e não poderia estar mais correto, né?

No namoro, no noivado nos conhecemos, o casal passa bons momentos juntos, fazem planos para uma vida, passeiam, saem, têm uma vida social ativa, veem amigos, aliás têm amigos, passeiam e se divertem.

Então, o casal decide por se casar, decide por ficar junto, por formar uma família. Começam a planejar o casamento, se farão festa, quem convidarão, a lua de mel, começam a arrumar a casa, a montar o quarto, sala, cozinha … os planos a mil, a felicidade imensa toma conta deles.

Vem o casamento, a festa, a viagem, tudo muito bom, muito gostoso, tudo dentro do programado…

Mas o dia-a-dia não é fácil! É trabalho, é meta a bater, é conta para pagar, é casa para cuidar, comida para fazer, louça para lavar, compra de mês, é a necessidade de fazer aquela limpeza em casa, de guardar o que está bagunçado, de correr para chegar a tempo em todos os compromissos…. Cadê a conversa? Cadê o diálogo? A troca de carícias? O carinho? Podem ter ficado perdidos em meio ao caos da vida do casal, da vida a dois com tanta coisa para fazer e resolver.

Às vezes, ainda vêm os filhos, para completar a felicidade do casal, para coroar o amor que sentem, para dar sentido às vidas, mas filho requer tempo, cuidado, gastamos mais com filhos, temos mais compromissos com eles e por causa deles: médico, vacina, escolinha, dentista, etc.

Todo este cenário pode afastar o casal, muitas vezes não há tempo para conversa, muitas vezes não há vontade de fazer algo juntos, pois o cansaço consome, muitas vezes o casal foge de buscar solucionar os problemas juntos, pois são muitas as divergências, que passaram a surgir e que, antes, não existiam.

Aquele casal apaixonado, amigo, amante, vai, paulatinamente, dando lugar a duas pessoas que dividem a casa, a vida, as contas, os compromissos. Vão ficando mais críticos uns com os outros, mais bravos, enxergam os defeitos do outro sem misericórdia, não perdoam uma falha, um erro, não admitem uma opinião diferente. Vão deixando de se olhar e de se ver.

Quando se dão conta, não sentem saudade, não sentem vontade de contar suas conquistas, de dividir seus medos, de planejar as férias, de coordenar as decisões e os planos, mas sabem que se amam, embora não consigam entender o que ocorreu com eles.

Rubem Alves, sempre certeiro, ponderava: “Seria possível um triunfo no amor? Sim. Mas ele não se encontra no final do caminho: não na partida, não na chegada, mas na travessia.”. Sabido, né?

A partida é permeada por uma euforia, por muito carinho, por admiração, então, para que tenhamos a ‘chegada’ triunfante, precisamos investir na travessia, no caminho, no dia-a-dia.

Casais precisam adotar a prática do diálogo, precisam conversar, precisam saber o que cada um pensa, o que deseja, o que quer fazer. Casais precisam planejar a vida corriqueira (mais que planejar a viagem de férias), precisam planejar as compras de supermercado, de produto de limpeza, precisam conversar sempre. Casais combinar o cuidado com as crianças, com a casa, com a organização da vida. Casais precisam conversar sobre sentimentos, sobre desejos, sobre planos, sobre medos, sobre alegrias e sobre anseios.

Mas, mais que isso, casais precisam ser casais, isto é: precisam ter um tempo só para eles, para verem um filme juntos, para um jantar a dois, para uma caminhada juntos, para curtir um ao outro.

Rubem Alves, ainda ele, dizia que casais devem viver e devem conversar como quem joga frescobol, isto é: “ (…) o bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem, cresce o amor … Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim.”

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