Circunstâncias da morte de menino de 12 anos em Limeira gera reflexão sobre suicídio infantil

Compartilhe!

A morte de um menino de apenas 12 anos, na noite desta terça-feira (20), em Limeira (SP), levanta o debate sobre crianças que tiram a própria vida. É um assunto delicado, mas necessário ser discutido, exclusivamente por esse motivo, a equipe do Rápido no Ar procurou uma psicóloga para falar sobre o tema.

O menino foi encontrado já sem vida pela tia-avó, que acionou, com ajuda de familiares, o Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência). A criança foi levada para a Santa Casa, mas infelizmente faleceu.

A psicóloga Dra. Solange Dantas explicou que lamentavelmente os índices de suicídio infantil tem aumentado em todo o mundo. Para ela, o tema precisa ser amplamente discutido. Acompanhe:

Entre os jovens
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é a quarta principal causa de morte no país.

De 2011 a 2016, as tentativas de suicídio de jovens entre 10 e 19 anos notificadas ao Ministério da Saúde passaram de 10 mil. Foram quase 4.900 mortes de jovens nessa faixa etária. O número é superior ao registrado entre 2005 a 2010, que foi de 4.300 casos.

Estima-se, entretanto, que apenas uma a cada três pessoas de todas as idades que tentam suicídio no Brasil seja atendida por um serviço médico de urgência. As outras não procuram atendimento.

Ainda segundo a OMS, 90% dos casos de suicídio registrados em todas as faixas etárias estão relacionados a doenças mentais e podem ser diagnosticadas e tratadas a tempo.

Tratamento e ajuda do CVV
O Centro de Valorização da Vida atende pelo número 188. O atendimento é 24 horas por dia e a ligação é gratuita. Ou se preferir pode acessar o site e conversar por um chat através deste link. O atendimento é de segunda a quinta-feira das 9h às 1h, na sexta-feira o atendimento é das 15h às 23h. No sábado das 18h às 1h e no domingo das 19h até às 1h.

O CVV é uma associação civil sem fins lucrativos que trabalha com prevenção ao suicídio, por meio de voluntários que dão apoio emocional a todas as pessoas que querem e precisam conversar. Eles recebem treinamento adequado e não precisam ter formação em psicologia. Todas as ligações são sigilosas.

Clínica-escola
É comum que faculdades de psicologia ofereçam terapia gratuita por meio de seus estudantes, que contam com a orientação dos professores.

Centro de Atenção
Psicossocial (Caps) Segmento do SUS, estão presentes em cidades com mais de 20 mil habitantes e são responsáveis por tratamentos psicossociais.

Plano de saúde
Desde 2017, os planos de saúde não podem limitar o número de consultas para tratamento de transtornos psicológicos.

Veja mitos comuns sobre o suicídio

‘Quem fala, não faz’ – Não é verdade. Muitas vezes, a pessoa que diz que vai se matar não quer “chamar a atenção”, mas apenas dar um último sinal para pedir ajuda. Por isso, os especialistas pedem que um aviso de suicídio seja levado a sério.

‘Não se deve perguntar se a pessoa vai se matar’ – É importante, caso a pessoa esteja com sintomas da depressão, ter uma conversa para entender o que se passa e ajudar. Não tocar no assunto só piora a situação.

‘Só os depressivos clássicos se matam’ – Não. Existe o depressivo mais conhecido, aquele que fica deitado na cama e não consegue levantar. Mas outras reações podem ser previsões de um comportamento suicida, como alta agressividade e nível extremo de impulsividade. Os médicos, inclusive, pedem para a família ficar atenta ao momento em que um depressivo sem tratamento diz estar bem: muitas vezes ele pode já ter decidido se matar e tem o assunto como resolvido.

‘Quando a pessoa tenta uma vez, tenta sempre’ – A maior parte dos pacientes que levam a sério o tratamento com medicamentos e terapia não chegam a tentar se matar uma segunda vez. O importante é buscar a ajuda.

Compartilhe!