Compartilhe!

Em geral o final do ano, especialmente a virada do ano, nos restaura esperança, nos reaquece a fé, fazemos novos planos, nos motivamos, temos a certeza que teremos um ano diferente!

Mas já dizia Albert Einstein, com a propriedade e sabedoria de um gênio: “Não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes. ”.

E é assim que vivemos em nosso Brasil, ano após ano, janeiro nos traz tensão e nervoso com as chuvas, com as mortes anunciadas de famílias inteiras, como consequência de chuvas fortes, casas em local de risco e governo inerte… e ano após ano assistimos as tragédias anunciadas …

E este ano não foi diferente… Mariana se repetiu em Brumadinho, situações semelhantes, negligência semelhante, o ser humano pagando o preço, a natureza pagando o preço, os animais pagando o preço e mais uma cidade, mais um rio, mais uma população, mais uma vez nunca mais serão os mesmos.

E choveu em nosso começo de ano, Janeiro e Fevereiro são meses de calor enorme e chuvas fortíssimas, torrenciais, violentas… e a chuva ceifou vidas, nas tais tragédias anunciadas … ainda temos mais chuva por vir, mais tensão passaremos e por que? Porque nada foi feito, porque não mudou nada, além do ano!

Passamos dez dias tristes assistindo e rezando por Brumadinho, passamos uma quinta feira nervosos com a chuva no Rio de Janeiro e acordamos na sexta com o fogo levando a vida de 10 adolescentes e ferindo outros 03, todos dormiam em containers, improvisados, sem licença municipal para funcionar, no Centro de Treinamento de um grande time de Futebol… eles deixariam de dormir em um estacionamento, dentro de containers em março… o fogo abreviou a mudança deles… levou os sonhos, as lutas, os sacrifícios, os sorrisos, a jovialidade de cada um deles. Nos calou fundo, nos fez chorar.

Choramos com cada uma dessas mães e pais que tiveram seus meninos arrancados deles num piscar de olhos.

Passamos os primeiros dias do ano atônitos, nervosos, rezando, torcendo pelos bombeiros, que bravamente nos trazem um mínimo de alívio em meio ao caos e a dor. Cada vida que salvam nos faz respirar aliviados… cada corpo que encontram nos levam às lágrimas, mas pensamos: ‘a família terá como se despedir deles’… tememos por cada bombeiro e por sua vida, por sua segurança… mas eles são guerreiros, não desistem, não sucumbem à fome, calor, medo, chuva, frio, perigo… cumprem seu juramento.
Somos um povo solidário, que se une para ajudar, para ser voluntário, para se doar, para rezar, sofremos todos juntos!

Como diz Augusto Cury: “Entendo que solidariedade é enxergar no próximo as lágrimas nunca choradas e as angústias nunca verbalizadas.”. Somos este povo, sentimos às angústias dos demais, choramos às lágrimas dos demais, nos enxergamos em nossos próximos… Que bom que somos assim!

Mas precisamos ser unidos também nas cobranças, nas ‘fiscalizações’, nas exigências… não precisamos sofrer tanto com o sofrimento e a destruição que vemos.
Podemos e devemos ajudar e sermos solidários, mas devemos agir como cidadãos conscientes, que não aceita mais ser sucateado por governantes que ano após ano apenas prometem, falam, gritam, vociferam em suas campanhas, mas nada mais é feito! Já dizia Bezerra de Menezes: “Solidários, seremos união. Separados uns dos outros seremos pontos de vista. Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos.”.

Que nossa união seja para que possamos nos ajudar, nos dar suporte, nos amparar uns aos outros, mas que possa ser também para cobrar, exigir, não nos deixar enganar mais.

Compartilhe!