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Inicio meu texto com essa reflexão, que, penso eu, ‘cai como uma luva’ para os tempos atuais e para nossa maneira nova de nos relacionarmos. Nova? Não sei se é tão nova assim, talvez a dificuldade de sermos compreensivos com quem não gostamos, com quem pensa diferente de nós ou com quem nos causou ‘dor de cabeça’ sempre tenha existido, porém, esperávamos que com a evolução da sociedade, as redes sociais acessíveis a todos, com a evolução do diálogo tivéssemos melhorado e evoluído, mas, infelizmente, caminhamos no sentido oposto da evolução!

Esperava-se que, com o passar do tempo, com os exemplos de vivências que temos, com tudo o que aprendemos com nossas famílias e amigos, com estudos e reflexões sobre consenso, respeito, empatia, com o advento e solidificação das redes sociais como uma ferramenta excelente de comunicação, que nós tivéssemos aprendido um pouco mais sobre nos colocarmos no lugar do outro! Neste endereço tão difícil, como diz o título (cujo autor, desconheço) da coluna.

Presenciamos e por que não dizer protagonizamos brigas lamentáveis e ofensivas por causa de posições políticas e opção por candidato X ou Y. Em momento algum nos colocamos no lugar do outro para tentar compreender o porquê desta visão das coisas, porque escolheu este ou aquele, porque gosta deste ou daquele, apenas e tão somente determinamos que se não for como nós pensamos, o outro é amoral, é errado, é criminoso, está roubando e destruindo a Pátria, logo ele, o outro, ‘meu parceiro de sofrimento e de sucesso’, dependendo dos resultados da administração deste ou daquele governo??!!

Não raras vezes presenciamos ou, lamentavelmente, protagonizamos episódios de violência (verbal e, às vezes até físicas) por conta de divergências de pensamento, por conta de dificuldade de se chegar a um consenso, a um acordo, a buscar uma solução pacífica. Quantas vezes não nos sentimos na idade média, diante de algumas situações, que nos deixam boquiabertos?
Muitas vezes nos chocamos com pessoas expondo, ofendendo, denegrindo, magoando, causando problemas aos demais nas redes sociais, sem medir as consequências de suas ações. Sem se colocar no lugar do outro, ô endereço duro e difícil de chegar.

Quem vê de fora, muitas vezes pode pensar: “Meu Deus, pra que isso? Que extremo é esse? Que coisa horrível e desagradável de se fazer!”. Agora, pense comigo, se quem está de fora e, de alguma forma, entra em contato com as questões que coloquei acima, sente-se desconfortável e ‘estranho’, imagine os envolvidos?

Quem ofende, quem agride, quem expõe, quem fala do outro, quem maltrata, quem diminui o outro, alimenta sentimentos horríveis dentro de si, como raiva, rancor, desejo de vingança e de prejudicar, toma ações que, grande parte das vezes, não são ortodoxas e aceitáveis e fala muito de si, de como lida com problemas, de como resolve desavenças, de como trata quem pensa diferente…

Quem é ofendido, agredido, exposto, quem é alvo de fofocas, calúnias, maus-tratos, quem é diminuído, experimenta uma dor horrível, uma dor de difícil reparação, experimenta angústia, medo, tristeza, vergonha, ansiedade, sente-se vulnerável …

Isto quer dizer que nenhum dos envolvidos esteve bem, ficou bem, sentiu-se bem, foi feliz.

Há muito tempo, o sábio Albert Einstein pontuou que “A paz é a única forma de nos sentirmos realmente humanos.”, agora te questiono: todo acima exposto, indica chegar a paz? Fazendo assim, alcançaremos paz entre as partes, paz interior, promovermos a paz ao nosso redor? Será que estamos em busca de sermos mais pacíficos ou mais bélicos? Será que estamos olhando o ‘endereço do outro’, a partir de ‘nosso próprio endereço’ e agindo de maneira desumana?

É preciso que saibamos conduzir nossas ações para que possamos solucionar os problemas, mostrarmos nosso ponto de vista, argumentarmos, solicitarmos, pedirmos, sem matarmos o que há de humano em nós! Sem ferirmos e nos tornamos algozes. Já dizia Rubem Alves: “E é preciso saber falar. Há certas falas que são um estupro. Somente sabem falar os que sabem fazer silêncio e ouvir. ”.

Que possamos refletir sobre nossos pensamentos, sobre os sentimentos que cultivamos dentro de nós, sobre nossas ações, sobre nossas falas e que elas nunca sejam armas prontas para dilacerar ao outro.

Encerro com um convite a reflexão, a partir de uma frase curta e profunda do Papa Francisco: “Apenas os que dialogam podem construir pontes e vínculos”.

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