Pessoas cruéis, sim, elas existem e estão mais perto do que imaginamos

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Quando pensamos em crueldade e em pessoas cruéis, logo nos vem à mente, pessoas que gritam e ameaçam, que são bravas, que falam o que querem, enfim, que podem nos dar medo ou receio de estarmos por perto! Essas pessoas podem ser descontroladas, pode lhes faltar educação, mas não são cruéis, necessariamente.

“Somos todos capazes de fazer o mal” Alex Haslam, Psicólogo e Professor de Psicologia social da universidade britânica de Exeter.

Sim, claro que somos capazes de fazer o mal, somos capazes de ações maléficas, sem sermos notados fazendo-as, ou disfarçando e dando outros nomes às nossas ações, somos capazes de atrocidades disfarçadas de “fiz o que foi preciso, não que eu quisesse fazê-lo”, mas somos capazes de recusar ações de maldade, de praticarmos boas ações, de fazermos o bem. A diferença entre um e outro é apenas e tão somente nosso livre arbítrio e quem somos, de verdade.

Para o Professor Haslam “existe a crença de que verdugos a serviço de tiranias agem por obediência, como burocratas cumprindo ordens superiores.”, entretanto o mesmo contesta o que chama de “conformidade cega”. Para ele colaboradores de maldades, aqueles do trabalho sujo, podem discernir sobre o que estão fazendo.

O pesquisador ainda vai além: para ele, existe uma propensão à maldade, ou seja, somos todos capazes de fazer o mal, porém, ao mesmo tempo, todos temos o potencial de desafiar a malevolência e resistir a líderes malévolos. Então, não há sentido em apontar qual maldade ou perversidade é inevitável, pois todas são evitáveis.

Nesse sentido, ficamos nos questionando: O que pode levar alguém a praticar o mal? Esta é uma grande questão, que o professor a explica em cinco etapas:

1) A tirania flui da “identificação” (construção de um grupo interno);
2) “Exclusão” (definição de alvos externos ao grupo);
3) “Ameaça” (a representação desses alvos como ameaçadores à identidade do grupo);
4) “Virtude” (defesa do grupo como unicamente bom); e
5) “Celebração” (adoção da ideia de erradicar o grupo externo como necessária para a defesa da virtude).

O próprio ‘tirano’ consegue disfarçar para si sua maldade e tirania, justificando-a como única maneira de conseguir um ‘bem maior’ e coloca em curso sua ação, aniquilando e causando dor, sem olhar a quem e SEM SENTIR culpa.

Em Psicologia, temos a psicopatologia que nada mais é que o estudo descritivo das expressões psíquicas atípicas sob a prática imediata, independente dos distúrbios clínicos. Ela analisa gestos, conduta, reação e expressões dos pacientes, bem como, os relatos e descrições próprias de cada um (JASPERS, 1973).

A psicopatia é um Transtorno da Personalidade, também conhecido como Transtorno da Personalidade Antissocial. De acordo com o DSM-IV-TR (2002), o Transtorno da Personalidade é considerado como experiências e comportamentos intrínsecos obstinados e que fogem as normas da cultura contemporânea. Comumente têm início na adolescência ou no princípio da vida adulta, costumam não se alterar com o passar do tempo.

Geralmente, a principal essência da psicopatia é a falta de emoções. Os psicopatas tratam o outro como ‘brinquedo/objeto’ que pode descartar ou manipular a qualquer momento, sendo incapaz de sentir amor, respeito e/ou qualquer tipo de sentimento. Muito comum, por exemplo, é vermos que estas pessoas fazem sofrer, sem sentir nada, diferente das demais pessoas que, ao causarem dor e sofrimento, tendem a se preocuparem, muitas vezes se culparem e tentarem amenizar os danos de sua ação.

Holmes (1997) elucida que os psicopatas apresentam algumas características específicas: Humor (ausência de culpa e ansiedade, hedonismo, superficialidade de sentimentos e ausência de apego emocional) e Cognitivos (parecem ser muito inteligentes, com habilidades verbais e sociais bem desenvolvidas e têm habilidade de racionalizar seu comportamento).

Resolvi abordar esse tema tão pesado hoje, pois estamos em contato com muitas pessoas, convivemos com outras tantas, não raras vezes somos atropelados pelas maldades de pessoas ‘mansas’, ‘boazinhas’, ‘que falam baixinho’, ‘corretinhas’ e não entendemos como pode ser possível. Pode ser que estejamos em contato com alguém capaz de maldades (como qualquer um de nós), mas de não sentir culpa, de manipular a realidade ao seu redor, para que a maldade pareça ‘inevitável’.

É possível que mais dia, menos dia, soframos com isso! Respire, reorganize sua vida, apesar do que lhe foi causado (sei que é duro) e afaste-se. Não busque argumentar (lembra: não há culpa para eles!), não busque mostrar a verdade aos demais (você pode não ser articulado o suficiente e manipulador o suficiente). Cuide de você. Respire!

Diante da maldade e do que lhe causou: busque se acalmar, re-encontrar seu centro de equilíbrio, refaça planos, re-organize sua vida (sei que não é fácil), se coloque em pé! Tempos difíceis virão, mas com planejamento, com ajuda de sua família, com amor, com cautela, serão superados. Vença! Sorria! Você merece sorrir! Você merece vencer! A maldade lhe causa dor hoje e lhe traz experiência e crescimento amanhã. O maldoso, o cruel algoz que lhe prejudicou e não sentiu nada, talvez nem se incomode com sua ‘volta por cima’. Dê a volta ainda assim! Não por ele, mas por você!

Não busque em você a culpa pelo que lhe aconteceu! Você não ‘errou’ sendo inocente demais, bom demais, correto demais, sincero, amigo… você foi um ser humano adequado, que encontrou com um ser humano doente!

Encerro com uma frase motivacional importante do mestre incrível Carl Jung: “O sofrimento precisa ser superado, e o único meio de superá-lo é suportando-o.”

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