Sobre as dores emocionais

Quantas são as vezes que não estamos bem, que nos sentimos tristes, angustiados, tensos, preocupados, ansiosos e que ‘guardamos para nós mesmos’ todo esse sentimento. Muitas vezes por receio de não sermos compreendidos, outras de termos nosso sentimento minimizado, outras ainda, por estarmos tão ‘perdidos’ que nem mesmo conseguimos nos expressar.

 

Expressarmos nossas emoções é de extrema relevância em nossas interações sociais. Ao manifestarmos emoções, conseguimos transmitir o que sentimos. Essa mensagem poderá ter efeitos nas emoções e comportamentos de quem recebe nossa mensagem. Entre os vários canais de expressão das emoções destacamos a face e a vocalização.

Quem convive conosco, não raras vezes percebe que nossas expressões faciais mudaram, que ficamos mais sérios, mais ‘bravos’, mais tristes… também notam que estamos mais quietos, falando menos, sorrindo menos, com feições mais bravas, parecendo tensos e nervosos…

Martha Medeiros fala de forma muito certeira sobre esta questão, ela pontua que “diante da dor emocional, só há uma ordem a respeitar: a paciência. De nada adianta inventar alegrias fajutas e se oferecer para a cobiça do mundo sem antes estar com a alma serenada e forte. É preciso saber esperar, do contrário a gente se atrapalha e só reforça a miséria existencial que preenche as madrugadas. Basta de tanta gente evitando pensar, evitando chorar, evitando olhar para dentro de si mesmo, sorrindo de um jeito tão triste que só faz demorar ainda mais o reencontro com o sorriso verdadeiro – aquele aguardando a hora certa de voltar.”.

Que profundo tudo isso, não é mesmo? Não podemos e nem mesmo devemos esconder nossas dores, nossos anseios, nossos receios, nossos medos e angústia. Não precisamos ‘divulgar aos 4 cantos’, mas podemos escolher pessoas para dividir conosco nossas angústias, para nos ouvir, para nos dar carinho, para nos oferecer um ombro amigo e uma escuta carinhosa! O carinho de quem gosta de nós, de quem conosco se importa é muito importante!

Chorar é importante, não precisamos ser fortes o tempo todo, podemos ter fragilidade e termos momentos de tristeza. Nos resguardarmos é importante, cuidarmos com cuidado de nosso coração é fundamental! Pedirmos carinho, escuta e paciência não é sinal de fraqueza, mas sinal de confiança e de busca por solução e por colocarmos ‘pra fora’ o que nos aflige!

Mas não só isso! Buscar ajuda profissional é fundamental para que consigamos superar nossas fases mais escuras, de maior sofrimento!

“Nos períodos de turbulência, a Psicoterapia se insere como uma possibilidade capaz de transformação individual, social e política.” (Elisabete A. Faleiros)

Ribeiro afirma que “ser psicoterapeuta é algo de profundo, de misterioso, de sagrado. Ajudar alguém a se ver, a se conhecer, a tomar posse de si mesmo é algo que sem uma profunda humildade dificilmente poderá acontecer.”. O Psicoterapeuta é aquele que caminha ao nosso lado, que nos ajuda a refletirmos sobre quem somos, como lidamos com nossas vidas, como nos sentimos frente à nossas dificuldades, é o profissional que através da escuta neutra e empática nos ajuda a reavaliarmos nossos comportamentos, nossos sentimentos, a realizarmos às mudanças pontuais que se fazem necessárias em nossas vidas.

Encerro com um convite a reflexão do grande Carl Gustav Jung: “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta.”.

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